27 de nov. de 2025
Materiais para arcada total fixa: zircônia, PMMA e Ti + cerâmica — qual escolher e quando?
Em reabilitações totais sobre implantes, o material da prótese influencia peso, rigidez, passividade, estética, retratabilidade e manutenção. Aqui explicamos, de forma prática, quando optar por zircônia monolítica, PMMA high-performance (fresado/impresso) ou barra de titânio com cerâmica/compósito — sempre respeitando a biomecânica do caso (nº de implantes, cantilever, esquema oclusal) e a experiência desejada pelo paciente.
O que define a escolha (antes do material)
Biomecânica: distribuição de implantes, passividade (teste do parafuso único), cantilever e oclusão protegida.
Perfil do paciente: bruxismo, hábitos, expectativa estética (branco/rosa), tolerância a manutenção e orçamento.
Retratabilidade: preferimos parafusadas para revisões de torque, acesso a componentes e higiene profissional.
Zircônia monolítica (em geral sobre barra Ti ou monobloco)
Prós
Rigidez elevada e alta resistência ao desgaste.
Estética branca estável (corpo multicamada, caracterização superficial).
Superfície lisa quando bem polida → menor retenção de biofilme.
Contras/atenções
Peso moderado em arcadas extensas; exige desenho que respeite cantilever.
Retrabalho estético e ajustes são mais trabalhosos que em compósitos/PMMA.
Risco de “som metálico” na fonética se não houver estratificação/compensação.
Quando indicamos
Pacientes com alta demanda de durabilidade e estética branca estável, bruxismo controlado e boa adesão à manutenção.
PMMA high-performance (provisório longo/definitivo de manutenção)
Prós
Baixa densidade (leve) e absorção de impacto → confortável e “gentil” com parafusos.
Agilidade: ótimo para carga imediata e test drive estético/funcional (ajustes rápidos).
Custo mais acessível e reparabilidade simples em consultório.
Contras/atenções
Desgaste e microabrasão mais rápidos que cerâmicas; repolimento periódico.
Risco de manchamento se higiene e polimento não estiverem em dia.
Como definitiva, requer plano de manutenção claro.
Quando indicamos
Fase de condicionamento (função/fonética/estética) antes da definitiva;
Pacientes bruxômanos (como etapa de observação);
Estratégia “definitivo de manutenção” com follow-up rigoroso.
Barra de titânio + cerâmica/compósito (híbrida)
Prós
Estrutura Ti: leve, rígida e biocompatível; boa distribuição de cargas.
Revestimento em cerâmica estratificada (estética top) ou compósitos (fácil reparo).
Integração rosa (gengiva protética) com transições naturais.
Contras/atenções
Cerâmica estratificada pode sofrer chipping (lasca) se oclusão não estiver estável.
Exige controle fino de passividade e da soldagem/união ao Ti.
Tempo de laboratório maior.
Quando indicamos
Necessidade de estética branco/rosa premium, com planejamento oclusal sólido e paciente aderente a recalls.
Como decidimos na Allegra (algoritmo simples)
Planejamento 3D (CBCT + scanner) e desenho “de fora para dentro”.
Definição de DV, corredor bucal, necessidade de rosa protético e perfil de higiene.
Se for carga imediata/condicionamento → PMMA HP (parafusada).
Na definitiva:
Zircônia mono se prioridade é durabilidade + baixa manutenção.
Ti + cerâmica/compósito se prioridade é estética branca/rosa muito refinada e reparabilidade.
Manutenção guiada por risco (3–6 meses): polimento, torque, radiografia comparativa e controle de oclusão.
Manutenção que prolonga a vida útil (vale para todos)
Higiene dirigida: escovas interdentais calibradas + irrigador.
Polimento profissional periódico (zircônia/PMMA) e ajustes oclusais quando necessário.
Placa em bruxismo; atenção a cantilever e parafusos.
Checagem de passividade/adaptação na revisão anual com documentação fotográfica.
Conclusão
Não existe “material perfeito” — existe material adequado ao caso.
Zircônia: robustez e estabilidade de cor para quem quer baixa manutenção.
PMMA HP: leve e reparável, ideal para carga imediata e condicionamento (e como definitivo com follow-up disciplinado).
Barra Ti + cerâmica/compósito: estética superior com boa biomecânica e reparabilidade — desde que a passividade e a oclusão estejam impecáveis.
A melhor escolha nasce do planejamento 3D, da estratificação de risco e de um protocolo de manutenção que mantenha o conjunto previsível por anos.
Referências
PJETURSSON, B. E.; et al. Implant-supported fixed dental prostheses: survival and complications. Clin Oral Implants Res, 2012–2020.
SAILER, I.; et al. All-ceramic vs. metal-ceramic restorations: survival and complications. Dent Mater, 2015.
BIDRA, A. S.; et al. Clinical practice guidelines for full-arch implant prostheses. J Prosthet Dent, 2016–2021.
MALÓ, P.; et al. All-on-4 in the edentulous jaw: long-term outcomes. Clin Implant Dent Relat Res, 2011–2019.


